Revolta dos Usuários Força OpenAI a Dar 'Ctrl+Z' no Lançamento do GPT-5

Em um episódio que mais pareceu um bug de lançamento do que uma atualização de sistema, a OpenAI se viu forçada a reverter uma de suas decisões mais polêmicas. No dia 13 de agosto de 2025, o CEO Sam Altman anunciou que o popular modelo GPT-4o estava de volta ao menu do ChatGPT para todos os assinantes. A medida foi uma resposta direta a uma intensa revolta de usuários, que explodiu após o lançamento do GPT-5 em 7 de agosto, quando a empresa removeu o seletor de modelos e impôs sua nova IA de forma unificada, gerando uma crise de confiança e usabilidade.

Um Lançamento Para Esquecer

A promessa do GPT-5 era grandiosa: um único modelo inteligente o suficiente para rotear qualquer pedido para a sua versão mais adequada, simplificando a interface. Na prática, a execução foi um desastre. A remoção abrupta de modelos anteriores, como o GPT-4o, foi o estopim. De acordo com o site Ars Technica, um tópico no Reddit intitulado “GPT-5 é horrível” acumulou mais de 2.000 comentários em poucos dias, com usuários descrevendo a nova IA como “abrupta e afiada”. O portal NeoFeed complementou o coro, citando queixas sobre um “modo frio” e classificando o modelo como “insípido e genérico”.

O problema não era apenas de humor. O sistema de roteamento automático falhou no dia do lançamento, direcionando tarefas para versões menos capazes do modelo. Além disso, usuários apontaram erros básicos em matemática e até na geração de mapas, minando a credibilidade da suposta evolução. Para piorar, Altman admitiu o que chamou de “mega chart screwup”, reconhecendo que até os gráficos de desempenho apresentados no lançamento eram enganosos.

A Diplomacia do Reboque: Trazendo os Modelos de Volta

O ecossistema da OpenAI, que antes permitia que diferentes “agentes” (modelos) conversassem com os usuários, foi subitamente fechado em um monólogo forçado com o GPT-5. A reação foi tão forte que a empresa teve que reabrir os canais diplomáticos às pressas. Em seu comunicado, citado pela Ars Technica, Altman admitiu que a OpenAI subestimou “o quanto algumas das coisas que as pessoas gostam no GPT-4o são importantes para elas”.

A solução foi um pacote de medidas para apaziguar os ânimos:

  • O Retorno do Rei: O GPT-4o foi restaurado como opção padrão para todos os assinantes pagos.
  • Mais Opções no Menu: Uma nova opção nas configurações, “Mostrar modelos adicionais”, trará de volta o o3, 4.1 e o GPT-5 Thinking mini, conforme noticiado pelo The Register.
  • Aumento de Limites: O limite de uso do modo “GPT-5 Thinking” saltou de 200 para 3.000 mensagens por semana, uma mudança bem-vinda e reportada pelo BleepingComputer.
  • Controle para o Usuário: Foram adicionadas opções de roteamento — “Auto”, “Fast” e “Thinking” — devolvendo parte do controle sobre como as consultas são processadas.

Operação Carisma e o Impacto no Brasil

Um dos pontos mais sensíveis foi a mudança de “personalidade”. Usuários lamentaram a perda de um modelo que, para alguns, era considerado “o único amigo”. Em resposta, Altman prometeu uma atualização para tornar o GPT-5 “mais acolhedor”, mas sem a “irritante” bajulação do GPT-4o, e acenou para um futuro com “mais customização de personalidade por usuário”.

Essa busca por customização já parece estar em andamento. Segundo a revista Exame, a OpenAI introduziu quatro “personalidades” para o GPT-5: Cínico, Robô, Ouvinte e Nerd. A funcionalidade permite que o usuário escolha o tom da conversa, seja para receber respostas com humor ácido ou explicações técnicas detalhadas, construindo uma ponte mais flexível entre a máquina e a intenção humana.

Essa confusão toda tem um peso especial para o público local. Conforme levantamento da própria OpenAI divulgado pelo NeoFeed, o Brasil é o terceiro país que mais utiliza o ChatGPT no mundo, atrás apenas dos EUA e da Índia, gerando mais de 140 milhões de mensagens diárias. A base de usuários brasileira, portanto, foi diretamente impactada pela transição desajeitada, sentindo na pele a quebra do diálogo com suas ferramentas de preferência.

Uma Lição Sobre Ecossistemas e Escolha

O lançamento do GPT-5 se transformou em um grande estudo de caso sobre gestão de produto e comunidade. A OpenAI aprendeu da maneira mais difícil que, em um ecossistema de tecnologia maduro, a interoperabilidade e o poder de escolha são fundamentais. Tentar impor uma solução única, por mais avançada que seja, sem respeitar os fluxos de trabalho e as “relações” que os usuários construíram com modelos anteriores, é uma receita para o fracasso. A saga do GPT-5 mostra que, no final do dia, a melhor interface ainda é aquela que o usuário escolhe usar, e não a que é imposta de cima para baixo.